Friday, August 14, 2009

Mudança que o binário trará




[Edição de abril de 2009)

Pelo projeto, trecho de rua entre a elevada

Dom Pedro I e apraça Santa Catarina deixará de existir
Na foto de cima, a avenida borges de Medeiros, que terá sentido único ao sul
vindo do Centro, ao fundo, afunilando ao lado da elevada.


Em fevereiro do ano passado, foi publicada notícia sobre a implantação de um binário formado pelas avenidas Praia de Belas e Borges de Medeiros, em função da ampliação do Praia de Belas Shopping Center. À época, os técnicos da EPTC entrevistados não tinham detalhes a apresentar sobre como seria o binário, se ele modificaria muita coisa no trânsito do bairro. Passados 14 meses, novo contato com a EPTC e já há, sim, detalhes que podem ser mostrados. Na Coor-denação de Projetos Viários Especiais da EPTC, as plantas já estão prontas. Mas, logo no início da conversa, é feita a ressalva. O que será mostrado não está 100% aprovado, tanto que não foi permitido fotografar as plantas viárias. As principais alterações físicas que virão, serão vistas na praça Rotary, em uma quadra da Barbedo e em uma quadra entre a praça Estado de Santa de Catarina e a elevada (“viaduto”) Dom Pedro I.

O projeto de alteração viária, seu custo, bem como toda a execução são pagos pela Iguatemi Empresa de Shopping Centers, a título de “medida compensatória” - termo empregado pelos políticos.

O redator se insurge contra tal política, que consiste em duplamente onerar o empreendedor, leia-se, o consumidor final. Já não bastam os altíssimos tributos, que não sustentam um Estado que não cabe no PIB (daí o déficit permanente). Há mais. Tem o empreendedor que pagar pelas alterações viárias, uma responsabilidade do poder público, outrora foi, com os impostos arrecadados.

Idéia básica do binário
Consiste em a Borges de Medeiros ter fluxo somente do Centro ao Sul, a partir da elevada dos A-çorianos, até seu final, quando encontra a elevada Dom Pedro I, onde as duas pistas da Borges se afunilarão em uma, o que exigirá obras físicas, na frente da praça Rotary, antes da elevada. A outra mão do binário estará na avenida Praia de Belas, tendo sentido somente ao Centro, em toda a sua extensão.


Com o binário, estima-se dar conta do aumento de fluxo de veículos nos cruzamentos - dobrar à esquerda é o Calcanhar de Aquiles do planejamento de tráfego.

O horizonte do projeto é o ano de 2016, para o aumento constante do fluxo de veículos no local.

Semáforo na Bastian com a Múcio Teixeira, enfim
Segundo os urbanistas da Coordenação de Projetos Especiais na Diretoria de Trânsito da EPTC, não haverá alterações de mãos no Menino Deus com o advento do binário. A única rua que terá alteração de sentido será a Pery Machado, entre Praia de Belas e Borges, ao inverso do atual. A princípio. O que implicará em os ônibus de T2 e T5 virem pela Praia de Belas. A boa notícia, com o binário, é a, enfim, implantação de um semáforo no perigoso cruzamento de Bastian com Múcio Teixeira.

Ao ser implantado o semáforo, as conversões à esquerda serão proibidas para quem trafegará na Bastian (como na Ganzo, hoje).

Para que ele, até que um dia, venha, tudo depende da pressa da Iguatemi, proprietária do Praia de Belas shopping, em tocar o projeto de expansão, atrasado, já em um ano, afinal, no final de 2007, anunciaram, para abril de 2009, os primeiros andares do prédio garagem na Praia de Belas com Marcílio Dias. Meses atrás a empresa emitiu comunicado, atribuindo o atraso à demora na obtenção de licenças junto à prefeitura.



Mais travessias seguras
Uma das principais características dos gaúchos ao volante, em Porto Alegre, é o supremo desprezo pela vida alheia, constatável na maneira como a desconsideração com o pedestre predomina, nas relações de poder entre condutores e caminhadores. Um abuso. Falta estabelecer o percentual dos de maus modos. Sem falar que o poder público não zela pela segurança como deveria, oferecendo poucas travessias seguras, em especial em torno do Praia de Belas Shopping Center.


Mas, agora que a proprietária do shopping irá pagar à força, de novo, para poder empreender, bancando o binário, haverá, sim, mais travessias seguras para pedestres.


Duas delas virão no cruzamento da Praia de Belas com Ipiranga, na frente do TRT e na Borges com Ipiranga, antes do Riacho, para quem vem do Centro.

Na frente do prédio da Smov, na Borges, a travessia segura contará com botão para acionar o vermelho. Hoje, há só a faixa de (in) segurança, pouco respeitada.

Mais uma travessia segura será implantada, no encontro da Borges de Medeiros com a Aureliano de Figueiredo Pinto.


Outra travessia segura existirá junto à elevada Dom Pedro I, na Borges, para quem pega ônibus ao sul e hoje atravessa na sorte a Borges, arriscando-se todo dia.

Para tanto, a parada irá recuar um pouco, uns 50 metros ao norte, do ponto atual. A travessia será segura com semáforo automático, e não aqueles de botoneira.

Praças terão traçado alterado
A mudança que mais chama a atenção, com a implantação do binário Praia de Belas - Borges de Medeiros, consiste em alterar o traçado das praças Rotary e Santa Catarina (uma ao lado da outra, no sentido norte-sul, entre Praia de Belas e Borges).


A Rotary receberá duas alças, duas pistas para auto, para quem vem do sul e passa sobre a elevada Dom Pedro I rumo ao Centro. Uma delas, óbvio, para poder continuar seguindo em frente rumo ao Centro (sentido que a Praia de Belas terá no futuro binário). A outra, para fazer o retorno de volta ao sul, bem em frente da Barbedo. As conseqüências para as praças foram “negociadas” com a Smam - outro dos órgãos a retirar ainda mais dinheiro do empreendedor.
Aquele trecho de rua entre a praça Santa Catarina e o viaduto deixará de existir. Logo, a praça será ampliada. Também deixará de existir a última quadra da Barbe-do, entre Praia e Borges. Assim, as praças Rotary e SC poderão ficar unidas; mas com dois nomes.

Assimilar fluxo de mais carros
O objetivo do binário Borges de Medeiros - Praia de Belas (esta vai ao centro, a Borges vem) é dar conta do aumento na quantidade de veículos que irão circular em função da ampliação do Praia de Belas Shopping Center. Mas há outros empreendimentos próximos que também trarão, prevê-se, uma maior circulação de veículos.


As estimativas feitas com a ampliação do Praia de Belas levam em conta o fluxo nos cruzamentos, pontos críticos para a engenharia de tráfego (o ideal seria sem eles, como na fascista Brasília?).

O cruzamento Borges de Medeiros com Ipiranga tem um fluxo diário de 9.366 veículos, em todos sentidos. Estima-se um aumento para 10.374 dentro da categoria “verde”, na qual os técnicos consideram uma utilização de até 82% da capacidade da via. O horizonte dos números é o ano de 2016.


Já o cruzamento Praia de Belas com Ipiranga passa dos 6.633 atuais, para 8.559 (em 82%). Múcio com Bastian tem fluxo de 1.331 hoje e irá a 1.739 com binário.

Graduação de Soluções - Para os urbanistas, há uma graduação de soluções, quando é necessário dar conta de aumento no fluxo de veículos. O crucial é reduzir os pontos de cruzamento, o que estanca o fluxo. Primeiro, sinaliza-se; depois, implanta-se rotatória; a seguir, semáforo; segue o binário e, se ele não soluciona, resta construir elevadas; cujo impacto, porém é muito grande sobre o entorno. E custam muito caro.


O crucial para a engenharia de tráfego é a conversão à esquerda, que exige terceiro tempo de semáforo, mas estoca muitos veículos.

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Wednesday, August 12, 2009

Ei, olha ali a dengue na parada


Formam-se uma dúzia de poças a cada chuva
Leitora liga para chamar a atenção das poças de água que se formam ao lado do terminal das linhas T2 e T5, na continuação da rua Peri Machado, entre Praia de Belas e Borges de Medeiros, no bairro Praia de Belas, na frente do Menino Deus. Ela é usuária regular de uma daquelas linhas e fica indignada ao ver que as poças d’água permanecem por vários dias após a chuva, um convite para o mosquito da dengue, o Aedes egypti (que é alienígena ao Brasil, como a maior parte de sua população humana; ele veio da África nos porões dos tétricos naviosnegrei-ros, junto com a doença).

A leitora fica ainda mais indignada ao lembrar que “a gente não pode ter o prato de um vaso de flor com água, por causa do risco da dengue e naquela área pública formam-se enormes poças”.
É mais um caso típico da opressão sob a qual se vive no país, desde a dicotomia metrópole-colônia, passando por império, república velha, estado novo (de velhos hábitos opressores), redemocratização, revolução anti-estatista que estatizou o país, redemocratização e atual ditadura civil da classe política, para quem as leis não valem, provado está pelo descaso do poder público para com o causo.
Em abril passado, uma publicitária, que pega ônibus ali, já tinha mandado uma foto e uma reclamação sobre os criatórios estatais de dengue, os que podem.
Nada foi feito. E, toda vez que chove um pouco, formam-se doze, sim, leitores e leitoras, doze poças d’água de generosas dimensões, equivalendo a dezena de pratos de vasos de flor cada uma.
Deve ser por essas e por outras que o poder público, a lei, é tão mal-vista no país. Quem deve zelar por ela não se preocupa em a cumprir para si. Opressão.
Feitas tais reflexões “cidadãs” (de um indivíduo escravo do estado/governo/partidos políticos) o redator procurou mais sarna para se coçar. Decidiu descobrir a quem cabe a responsabilidade pela chapa de concreto-poçad’água-para-dengue. É querer, viu?

E a quem pertencem as poças??
Ao povo todo, claro, que se dane, obedecendo a lei. Ditadura.
O redator entrou em contato com a assessoria de imprensa da Smov. Pediram um e-mail. Enviado. Não responderam por e-mail. Telefonaram. Igualdade? Depois, veio.
Segundo ela, “equipe da Smov esteve no local e constatou que há duas grelhas de um dos lados da via em questão, mas como a rua é plana, as águas acabam acumuladas não conseguindo escoar. Seria necessária uma avaliação do DEP para ampliação da rede pluvial no local. A placa de concreto está no passeio e não apresenta problemas”. Então ‘tá. E que o redator contatasse o DEP.
Aí, também, já é demais.
De Herodes a Pilatos..

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Portão-símbolo se desmancha




Portão está se desmanchando


As grades, muros e, em especial, o velho portão de ferro do antigo parque de exposições, na avenida Getúlio Vargas fazem parte da paisagem do bairro Menino Deus, o mais antigo de Porto Alegre. Geração após geração criaram-se com eles, identificando-lhes o chão no qual pisavam e onde cresceram. Essa paisagem arquitetônica, cujo valor é somente histórico (mas, e como!), está ameaçada. Basta o senhor ou a senhora irem até lá e olharem com atenção para o portão, para constatarem que não lhe resta muito tempo. Está enferrujado e corroído, em especial na base.
Há quantos anos não recebe tinta? Três décadas? Uma coisa é certa. Diariamente, é objeto da urina canina, que, ácida como toda urina, corrói o ferro. Nisso ajuda.


Síndicos de condomínios residenciais que o digam. Sabem da necessidade de proteger com cimento a base de grades, dada a corrosão causada pela urina dos mascotes, “filhos” e “filhas”.

O Estado do déficit zero, foi anunciado, pela primeira vez em três décadas - o que é bom - apesar disso, está falido. Conservação é secundária. Vai custar mais depois. Azar. A velha arquibancada do Cete o ilustra.

O ex-governador Antônio Britto propôs uma Vila Olímpica na área do antigo parque (incluía o Cete). Previa preservar o muro e o portão. Mas era final de governo.

O que lhe sucedeu só falava em “desporto comunitário” (existe o que não seja?) e deixou para lá a idéia. Não conseguiu sequer reformar os ginásios do Cete, embora tenha gasto mucha plata.

E portão lá, urinado e submetido às intempéries. Até quando?


Breve histórico
O portão foi construído para o parque das ‘feiras agropecuárias’, a primeira delas, com tal nome e no Menino Deus, em 1909. Em 1912, o governo encomendou um pavilhão metálico a uma firma inglesa. O portão, talvez, date deste ano, afinal, os primeiros pavilhões eram de madeira. O local sediou o Prado Rio-Grandense, um entre os quatro hipódromos da cidade. O prado é de 1881. Funcionou até 1909. O governo do Estado desapropriou-o para construir o parque. Desde 1970, as feiras foram para Esteio, no parque Assis Brasil. A primeira Expointer (feria internacinal de agropecuária) data de 1972. O velho parque ainda sediou eventos, para, já em 1974, ter uso meramente administrativo ao Departamento da Produção Animal. No governo de Pedro Simon (87-90), passou a sediar o gabinete do secretário da Agricultura e do Abastecimento. O DPA se foi. Em 2007, foi para lá transferida a sede da 2ª Delegacia de Polícia.

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Tuesday, April 01, 2008

Mito da gratuidade "vive" na leal e valorosa

Só há dignidade se o trabalho é mercadoria, pois, do contrário, será servido grátis - escravidão. Mas o anti-capitalismo, predominante na mente deste país pobre (de aí, ser tal, não?), gera a imbecilidade do gratuito, da qual muito se utiliza o político. Custos dispersos, benefícios concentrados, certo chefe?

O mito da gratuidade no Brasil, nunca bem analisado pela turma das ciências humanas, reproduz-se na “leal e valerosa” ao imperador.

Uma consulta à página da prefeitura na internet dá uma idéia de como se cobra na moita e finge-se a oferta “grátis” de serviços. Tudo o que é oferecido gratuitamente tem um custo, claro, de material e de pessoal. Embuçado na divulgação.

A alguns casos, então
08/10/07 - “A Procempa oferece conexão gratuita à Internet aos visitantes da 6ª Bienal do Mercosul. A empresa de tecnologia do município implantou ambiente Wireless no espaço de convivência, ...”

“A Escola Municipal de Ensino Médio Emílio Meyer (Avenida Niterói, 472, Bairro Medianeira) abriu inscrições para oficinas gratuitas de música, cerâmica, ...”

09/10/07 - “No próxima sexta-feira, 12, Dia das Crianças, a Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer (SME) promove diversas atividades gratuitas no Parque Marinha do Brasil. O evento ...”

“Na primeira etapa de inscrições, mais de 4.500 jovens registraram o seu interesse em participar dos cursos oferecidos gratuitamente pela prefeitura da Capital.”

26/02/08 - “Ginástica, alongamento, caminhada orientada, jogos esportivos e dança para jovens, adultos e idosos são algumas das modalidades oferecidas gratuitamente à população que fica na Capital durante os meses de verão.” Os professores são escravos?

29/02/08 - Já o Porto Alegre em Cena terá sua história de 15 anos registrada em livro: “Os três mil exemplares da publicação serão distribuídos gratuitamente para escolas de teatro, companhias teatrais, secretarias de Cultura e bibliotecas”. Os gráficos são escravos?

Uma busca na página da prefeitura na web revelou 591 ocorrências de ‘gratuitamente’, no 29/02.

É preciso ler o Diário Oficial, para descobrir que o gratuito custa. E muito. Com tal farsa políticos brincam com o dinheiro suado daqueles a quem iludem, oferecendo o suposto gratuito. É a escravidão.

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